Após ações de execução de dívidas, a empresa decidiu pedir proteção judicial; motivos dos problemas são a crise no mercado agrícola e as restrições de crédito ao setor
08/07/2025 12h58
Taís Hirata, Valor — São Paulo

O grupo FGC, empresa de distribuição e transporte de combustíveis, entrou em recuperação judicial na semana passada para reestruturar uma dívida de R$ 250 milhões e, agora, busca um novo sócio para tentar se reerguer. A companhia vem negociando com seus credores desde o início do ano, mas sem sucesso, afirmou Douglas Duek, presidente da Quist Investimentos, que apoia a FGC na reestruturação, ao lado do escritório TWK.
Após ações de execução de dívidas, a empresa decidiu pedir proteção judicial, que foi concedida na última quarta (2). Os motivos dos problemas são a crise no mercado agrícola e as restrições de crédito ao setor, disse.
“Houve a inadimplência de clientes por quebra de safra, a diminuição no consumo [de combustíveis], e o mercado financeiro está reticente com o setor agro. Alguns bancos não quiseram renovar operações que estão sendo pagas. Além disso, a empresa não tinha garantias disponíveis para oferecer”.
Na petição inicial, a empresa culpa também os impactos herdados desde a pandemia de covid-19, o aumento recente das taxas de juros no país e a inadimplência de seu principal fornecedor de etanol, a quem o grupo havia adiantado pagamentos, sem ter recebido os produtos adquiridos. A companhia, criada em 2018 pelos executivos do setor Pedro Granja e Vinicius Carvalho, tem faturamento anual de R$ 1,8 bilhão, segundo o grupo.
Os principais credores são Banco do BrasilCotação de Banco do Brasil, Banco Volvo, BradescoCotação de Bradesco, SantanderCotação de Santander, C6, além de fundos. O maior credor é o Banco do Brasil, mas os créditos são relativamente pulverizados, afirmou Duek. Procurados, o Banco do Brasil e o Bradesco não quiseram comentar. As demais instituições ainda não se manifestaram.
Agora, a companhia tem 60 dias para apresentar seu plano de reestruturação. “A empresa vai precisar de um alongamento grande dessa dívida, passando de dez anos, e de injeção de capital, via sócio, porque na taxa de juros atual fica inviável [uma injeção] com dívida”, afirmou Duek. Segundo ele, a entrada de um novo investidor será determinante no plano.
Na parte operacional, a estratégia deverá ser ampliar as margens dos contratos, que hoje estão apertadas demais. “O grupo terá que ficar mais rígido em relação à margem mínima, porque o combustível é ‘commodity’, não adianta ter volume sem margem”, acrescentou.
