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Segmento de crédito privado vive período de maturação

15 janeiro 2025

Gestores avaliam que em 2026 captações para o setor continuarão positivas.

O mercado de crédito privado no Brasil amadureceu nos últimos três anos, sobretudo após eventos relacionados à fraude na Americanas e à recuperação judicial da Light. Para gestores, não há dúvidas de que essa classe de ativo já conquistou uma fatia na carteira dos investidores, que aprenderam também a dinâmica desse mercado, enxergando os riscos envolvidos nas operações.

Para 2026, com a expectativa do início do ciclo de queda de juros, o diferencial de retorno dos fundos de crédito privado está diretamente relacionado às operações estruturadas. Esse conjunto engloba investimentos como Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) e Fundo de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagro).

Juliana Tomaz, gestora de crédito da AMW, que é a asset management da Warren, ressalta que 2026 continuará um ano positivo para a captação. Por outro lado, enquanto os fundos continuarem captando bastante, os spreads tendem a ficar mais amassados, diz.

Na visão dos gestores de crédito privado, a manutenção da Selic em 15% não é um cenário favorável para as empresas, porque o lucro tende a cair em função das despesas financeiras, mesmo entre as que têm um aumento de receita. Nesse cenário, o nível de amadurecimento do mercado de crédito privado tem sido decisivo. Essa visão do segmento favorece a mitigação de riscos, com a avaliação mais crítica da qualidade das garantias reais.

“Os riscos de crédito existem, o default, mas é preciso pensar o tempo inteiro em como mitigar esse risco. Não tenho a menor dúvida de que o Brasil é o país do crédito, desde que muito bem concedido”, avalia Tomaz.

Para além de garantias sólidas e bem constituídas, comuns entre empresas de capital aberto, é preciso aumentar o crivo em operações estruturadas. O olhar mais crítico é imprescindível para reduzir os danos em eventos como uma recuperação judicial. “Nesse momento de spread fechado, conseguimos melhorar a rentabilidade para o investidor com operações estruturadas. Porém, o gestor precisa estar atento, porque quanto mais garantias o ativo tiver, menor o risco de tornar o investimento zero e recuperar de alguma forma”, diz a gestora.

A palavra de ordem no processo de avaliação de crédito é governança. Tomaz ressalta que muitas vezes a empresa está com bons resultados, atua em um segmento bom, regulado por exemplo, tem taxas de risco e retorno muito interessantes, mas a gestão não tem experiência no segmento. Nesse caso, a falha de governança é suficiente para evitar o ativo.

Antonio Pedro Leão Teixeira, sócio e gestor dos fundos de debêntures de infraestrutura da JGP, diz que é papel do gestor ter uma visão mais ampla do ativo. No caso de Americanas, Teixeira lembra que a gestora tinha uma posição comprada supercurta, bem antes do problema vir à tona.

“Era um nome que a gente não gostava. Quando olhávamos o fluxo de caixa, era difícil de explicar por que eles estavam sempre queimando caixa. Por outro lado, era uma empresa com acesso a diferentes fontes de funding, não imaginávamos que iria quebrar. Então faz sentido estar posicionado em ativos que você não gosta só para compor a carteira? Depois do evento de Americanas, reavaliamos esses casos”, detalha Teixeira.

“Depois do evento de Americanas, reavaliamos esses casos” — Antonio Teixeira

A JGP tem enxergado muito potencial em FIDCs. No entanto, não negligencia as questões de governança. “É um segmento com muito potencial, que consegue diminuir a volatilidade dos fundos, porque geralmente são carteiras com menos marcação no mercado secundário. Mas, se a operação tiver algum risco de governança, não engajamos”, afirma Teixeira.

Jean-Pierre Cote Gil, gestor de crédito da Vinland, destaca as oportunidades em relação aos ativos estruturados, mas é preciso cautela. No início do ano, a gestora fechou alguns fundos para captação. “A captação estava muito forte na virada do ano, queríamos trabalhar melhor a carteira, sem pressão de alocação, os prêmios estavam muito apertados. Se você mantém os fundos abertos num momento de muita captação, não consegue alocar da melhor forma, porque a oferta diminui, por mais que sua gestão seja muito ativa.”

Fonte: https://valor.globo.com/guia-de-fundos/fundos-de-investimento/noticia/2025/12/15/segmento-de-credito-privado-vive-periodo-de-maturacao.ghtml